Tubarão-Cobre (Carcharhinus brachyurus)
English Name:
• Copper Shark
Tamanho: 3,3 m de comprimento.
Vida Útil: 25-30 anos.
Peso: 305 kg.
O Tubarão-Cobre (Carcharhinus brachyurus), baleeiro-de-bronze ou tubarão-dente-estreito é uma espécie de tubarão-requiem encontrada principalmente em latitudes temperadas. É distribuído em várias populações separadas no Atlântico nordeste e sudoeste, na costa da África Austral, no Pacífico noroeste e leste e ao redor da Austrália e Nova Zelândia, com relatos dispersos de regiões equatoriais.
Aparência
A aparência do tubarão-cobre é marcada pelo seu formato de corpo hidrodinâmico, esguio e fusiforme (em forma de torpedo), com um perfil que se arqueia ligeiramente logo atrás da cabeça. O seu focinho é longo e um tanto pontiagudo, acompanhado por grandes olhos redondos protegidos por membranas nictitantes (uma terceira pálpebra transparente). A característica mais famosa desta espécie é, sem dúvida, a sua coloração viva: o seu dorso brilha com um intenso tom de bronze, cobre ou cinza-oliva metálico que contrasta nitidamente com o ventre de cor branca sólida. Curiosamente, logo após a morte do animal, este brilho acobreado desbota rapidamente para um tom de cinza fosco. Do ponto de vista da identificação técnica, ele distingue-se visualmente pela total ausência de uma crista interdorsal (a elevação de pele entre a primeira e a segunda barbatana dorsal) e pelas suas barbatanas, que possuem pontas apenas ligeiramente mais escuras ou lisas, sem marcações pretas ou brancas proeminentes. A sua boca está repleta de dentes especializados; em particular, os seus dentes superiores são finamente serrilhados, invulgarmente estreitos e curvados em forma de gancho.
Distribuição
A distribuição do tubarão-cobre é ampla, mas irregular (disjunta), ocorrendo quase exclusivamente nas águas costeiras e plataformas continentais de regiões subtropicais e temperadas quentes de ambos os hemisférios. Pode ser encontrado ao longo das costas do Atlântico (incluindo o Mar Mediterrâneo, Norte de África, África do Sul, e do Brasil à Argentina), na região do Indo-Pacífico (da África do Sul à Austrália, Nova Zelândia, Japão e China) e no Pacífico Oriental (do sul da Califórnia, no México, até ao Peru). É predominantemente uma espécie costeira, preferindo habitats desde a zona de arrebentação rasa até baías, portos, estuários de águas salobras (onde a água doce encontra o mar) e fundos da plataforma até cerca de 100 metros de profundidade.
Hábitos e Estilo de Vida
O estilo de vida do tubarão-cobre revela um animal de formidável capacidade atlética e de comportamento altamente organizado, muito distante do estereótipo do tubarão solitário e letárgico. Eles são nadadores rápidos, curiosos e ativos, com uma tendência fortemente social. Ao contrário de muitas outras espécies de grandes tubarões, eles reúnem-se em grandes cardumes para caçar e migrar, muitas vezes segregando esses grupos por sexo e por tamanho do corpo para evitar competição ou agressão interna. São animais migradores incansáveis, realizando longas viagens sazonais provocadas por mudanças de temperatura e necessidades reprodutivas; durante o verão, movem-se das águas equatoriais quentes para as águas mais frias próximas aos polos, fazendo a viagem de regresso durante o inverno. Outro hábito marcante é a sua tática de caça cooperativa. Eles aproveitam o seu número para encurralar grandes cardumes de presas perto da superfície marítima. A mais icônica demonstração desta agilidade ocorre anualmente durante a "Corrida das Sardinhas" (Sardine Run) na costa oriental da África do Sul, onde milhares de tubarões-cobre seguem os gigantescos cardumes pelágicos aos milhões, nadando freneticamente no meio de golfinhos, aves marinhas e baleias numa tempestade de predação visualmente estonteante. O tubarão-cobre é também uma espécie que exibe "filopatria", o que significa que têm o instinto de retornar aos exatos mesmos locais geográficos todos os anos, como os antigos berçários onde nasceram. Em relação aos seres humanos, apesar do seu grande porte, ataques não provocados são estatisticamente raros e a espécie não persegue pessoas ativamente. Contudo, devido à sua presença em águas rasas, os incidentes que ocorrem costumam estar associados à pesca submarina ou à caça com arpão, momentos em que o tubarão, atraído pelas vibrações de agonia do peixe ferido ou pelo sangue na água, pode tornar-se excessivamente estimulado e roubar a captura do mergulhador.
Dieta e Nutrição
O tubarão-cobre é um predador oportunista e rápido que consome uma grande diversidade de presas do fundo e do meio da coluna de água. A sua dieta centra-se maciçamente no consumo de peixes ósseos pelágicos de cardume, incluindo sardinhas, tainhas, anchovas e carapaus, além de peixes que vivem no fundo, como linguados, peixes-sapo e rascassos. Os cefalópodes, em particular as lulas e os chocos, são também uma fonte de nutrição altamente valorizada por eles. Indivíduos maiores de tubarão-cobre aproveitam também o seu tamanho para caçar presas cartilaginosas mais difíceis, como pequenas raias, torpedos (raias elétricas), peixes-serra e outras espécies menores de tubarões.
Hábitos de Acasalamento
A biologia reprodutiva do tubarão-cobre é caraterizada por um ciclo de viviparidade placentária extremamente longo, refletindo a sua maturidade tardia e baixo ritmo de crescimento. Como quase todos os grandes tubarões, o processo reprodutivo consome enormes reservas energéticas, motivo pelo qual as fêmeas geralmente acasalam e reproduzem-se apenas a cada dois anos. O ato do acasalamento ocorre nos meses de primavera e verão, sendo uma experiência muitas vezes violenta para a fêmea, que fica coberta de "mordidas de acasalamento" ao longo do dorso e peitorais causadas pelos machos que as tentam segurar para permitir a cópula. Uma vez que os embriões estão fertilizados no interior do útero, começam a desenvolver-se inicialmente suportados pelas gemas dos seus sacos vitelinos. Quando esta reserva nutricional primária do saco vitelino se esgota, a própria estrutura física do saco altera-se, ligando-se firmemente à parede uterina da mãe. A partir desse momento vital, passa a funcionar como uma verdadeira ligação de cordão umbilical (uma placenta), permitindo que a fêmea transfira os nutrientes e o oxigênio diretamente do seu sangue para os filhotes até o momento final do nascimento. O tempo desta gravidez (gestação) é um dos mais demorados do oceano e varia notavelmente dependendo da localização geográfica da população: em zonas como a África do Sul a gestação dura cerca de 12 meses, mas na Austrália e regiões semelhantes, acredita-se que o processo demore entre espantosos 15 a 21 meses. No final da gravidez, as fêmeas grávidas viajam de forma instintiva para áreas costeiras específicas com águas muito rasas – como margens de baías costeiras tranquilas e estuários resguardados – onde encontram os berçários. Nestas águas de baixa profundidade, dão à luz ninhadas vivas e independentes que variam entre 7 a 24 crias. As crias nascem fortes, com cerca de 60 a 70 centímetros de comprimento, utilizando a abundância de pequenas presas dos berçários estuarinos para crescer rapidamente longe do perigo dos grandes predadores pelágicos de águas profundas.
População
Ameaças à População
A maior ameaça imediata ao tubarão-cobre é o fato de ser um alvo constante e altamente valorizado na pesca comercial de palangre (linhas longas de fundo) e pesca de arrasto, devido à alta qualidade da sua carne (destinada à alimentação em países como a Nova Zelândia e Austrália) e à incessante demanda asiática pelas suas barbatanas. A pesca desportiva é igualmente intensa na Nova Zelândia e no sul da África, onde a sua captura acessória em redes de proteção montadas ao longo das praias para evitar ataques de tubarão aos banhistas tem dizimado dezenas de exemplares anualmente. Finalmente, como espécie que depende de baías e estuários costeiros para dar à luz os seus jovens, a destruição humana constante e a poluição química desregulada destes ecossistemas (berçários) ameaçam severamente a sobrevivência a longo prazo dos juvenis.
Número da População
Não existe um número exato para a contagem global dos indivíduos da espécie; todavia, todas as tendências científicas apontam para um facto sombrio: devido à sua forte exposição pesqueira e ao facto de levarem 20 anos a atingir a maturidade para depois terem ninhadas muito reduzidas, a sua população tem vindo a cair drasticamente, demonstrando claros declínios locais em vastas áreas da sua distribuição histórica. Face a esta redução populacional insustentável em vários continentes, o tubarão-cobre é hoje classificado como espécie Vulnerável na Lista Vermelha global da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
Nicho Ecológico
No ecossistema marinho de águas temperadas subtropicais, o tubarão-cobre preenche o nicho ecológico de predador de topo (apex) ativo costeiro. Ele atua como uma engrenagem crítica no equilíbrio marítimo, encarregado da seleção natural através da sua intensa pressão predatória, removendo peixes e cefalópodes excessivos, doentes, lentos ou em demasia para estabilizar a pirâmide populacional. Como predador que se move entre recifes de zonas costeiras rasas e vastos cardumes do mar aberto, atua também como o maior elo para o transporte transoceânico de energia metabólica captada e para a reciclagem e controle dinâmico da cadeia trófica dos ambientes temperados do globo.
Curiosidades para Crianças
• Esta espécie também pode ser chamada de baleeiro de ponta preta, tubarão coquetel ou baleeiro coquetel, ou baleeiro da Nova Zelândia, bem como pelas abreviações "bronze", "bronzie" ou "coquetel".
• O nome "baleeiro" originou-se no século 19, aplicado pelas tripulações de navios baleeiros no Pacífico que viram grandes tubarões de várias espécies se reunindo em torno de carcaças de baleias arpoadas.
• Durante as migrações, tubarões-cobre individuais foram registrados viajando até 1.320 km (820 mi). É filopátrico, retornando às mesmas áreas ano após ano.
• Esses tubarões possuem uma terceira pálpebra protetora.
• Esta espécie é bronze a cinza-oliva em cima com um brilho metálico e às vezes um tom rosa, escurecendo em direção às pontas e margens das barbatanas, mas não de forma conspícua; a cor desbota rapidamente para um marrom-acinzentado opaco após a morte.
• Os dentes superiores dos machos adultos são mais longos, mais estreitos, mais curvos e mais finamente serrilhados do que os das fêmeas adultas e dos juvenis.
• A presa predominante desta espécie na África do Sul é a sardinha-da-africana-australiana , que compreende 69–95% de sua dieta. Todo inverno, cardumes de tubarões-cobre seguem a "corrida" da sardinha do Cabo Oriental até KwaZulu-Natal.
• Um grande número de tubarões-cobre foi observado caçando juntos de forma aparentemente cooperativa. Pequenos cardumes são "conduzidos" em uma bola compacta, após a qual cada tubarão-cobre nada por ali, com a boca aberta, para se alimentar. Para grupos de atuns e presas maiores, os tubarões-cobre perseguidores podem adotar uma formação de "asa" para forçar suas presas a se aproximarem, com cada tubarão-cobre mirando em um peixe específico e atacando em turnos.
Referências
1. https://en.m.wikipedia.org/wiki/Copper_shark
Galeria
Páginas para Colorir
Comentários
Postar um comentário